quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

demasiadamente humano (e amargo)


noite dessas, numa degustação de cana com meus imberbes jovens amigos de confraria, conheci a curitibana diabólica e seus maldosos 6,66 abv.*

 600ml de india pale ale, feitos na panela, edição limitada. 

agora, a là mode dos antigos mestres de cerimônia, convido o distinto leitor a adentrar pelo misterioso universo do charme artesanal e do prazer perverso da exclusividade.

é uma garrafa retrô, num quê de tubaína, com um rótulo lindo e resistente que invoca fogo em brasa. repare que capricho: o prazo de validade  estava escrito à mão, com uma letra de forma angulosa, mas tranquilamente legível.

ingredientes: nada além de sete tipos de mate - incluso um defumado - cevada, água e muito lúpulo. não bastasse essa quantidade cavalar do lobo do solo, utiliza-se o dry hopping, que basicamente é acrescentar mais lúpulo ao fim do processo de alta fermentação das ales.

o que eu acho? uma cerveja de cor âmbar, turva, com um ótimo corpo, formação de espuma média e persistente, exalando intenso aroma cítrico, herbal e de mates tostados.  

ao fim, no retrogosto, sinta comigo o coice de mais de 40 IBU.**

a infernal não foi bem um sucesso de crítica no seio do nosso clube de carinhosa alcunha: confraria do eu sozinho.***

compreensível. nosso paladar foi deturpado degenerado acostumado à cervejas pilseners deprimentes à base de milho, filtradas um mol de vezes numa tentativa bem patética de camuflar um gosto que é um desgosto.

consideração reflexiva padrão: 

amigo leitor, faça-me companhia ouvindo caetano veloso cantarolar que "cada um sabe a dor e a delícia de se ser o que é". 


a mim, parece bem razoável a seguinte metáfora: 

uma pilsener lite industrial de larga escala é uma vida perdida no piloto automático do cotidiano. tediosa até dizer chega, engolimos cada gole, cada copo, cada sapo. com o passar do tempo, dá-se a impressão de melhorar. vã ilusão da mente nublada.
uma não-vida, na qual se busca só o refrescar estupidamente gelado, esperar o fim de semana e nada mais.

uma IPA - sigla de india pale ale - é a vontade nietzscheniana de vida. afirmativa. uma vida grandiosa, poderosa como se deve ser. equilibrando dulçor, amargor e o agridoce, com aromas que resfriam as vias aéreas como o cheiro de hortelã e perfumam com os florais da fermentação.

amarga, encorpada, saborosa. uma vida sempre intensa.

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* - do inglês, alcohol by volume.
** - também do inglês, International Bitterness Units scale, escala que mensura o amargor das cervejas.

post scriptum: pelo Standard Reference Method, a coloração da diabólica tende mais para um índice 26, de uma double IPA, do que uma IPA tradicional, de índice 12.

vergonha


grant morrison, em Superdeuses - Ed. Seoman, 2012, tradução de Érico Assis - relata anotações do tipo diário desde os sete anos de idade. quis ser escritor desde os cinco.

eu não escrevo por vergonha.

vergonha de não escrever sempre.
vergonha da autocrítica acachapante.
vergonha por postergar coisas mais importantes mais urgentes para escrever sem vergonha.

 vergonha de não escrever.

sábado, 9 de junho de 2012

VOLTEI

e com um novo manual de instrução:



aguarde e confie

sábado, 14 de agosto de 2010



over jordan
over home

domingo, 18 de julho de 2010

I can see through you


And you
Can bring me to my knees

All this time
That I could make you breathe

All the times
That I felt insecure

And I leave
A burning path of flame

I’m on the outside
I’m looking in
I can see through you
See your true colors
Cause inside you’re ugly
You’re Ugly like me
I can see through you
See to the real you


All this time
That I felt like this won’t add
Once for you

And I taste
What I could never have
It’s from you

All those times
That I tried
My intentions
Full of pride
And I waist
More time than anyone


All the times
That I’ve cried
All that’s wasted
It’s all inside

And I feel
All this pain
Stuffed it down
It’s back again

And I lie
Here in bed
All alone
I can’t mend

And I feel
Tomorrow will be okay
But I know

segunda-feira, 28 de junho de 2010

a arte comoriente de nelson rodrigues e poets of the fall

já admiti com um dúbio orgulho que sou um pecuarista indie.

e existe algo na fazenda que só consigo sentir quando sou despido de toda a urbanidade.

é uma sensação indefinida, como quando vejo a poeira levantando por nada e se assentando de mansinho na cerca de madeira. ou o cajuzeiro fazendo sombra comprida do sol infinito do pará.

lá, o peão enquanto lida com o gado, por vezes volta à mangueira e toma um gole de cachaça. e cada gole amortece um pouquinho as dores da vida. um pouco do cansaço, um pouco da tristeza, um pouco da saudade.



arte é cachaça.

com um trago as dores da vida se apaziguam, de gole em gole, um pouco por dia.

uma garrafa redimensiona as angústias, forja as vivências vindouras e relê os ferimentos sofridos. dá mais sentidos ou unifica o significado.

You lift my spirit, take me higher, make me fly,
Touch the moon up in the sky, when you are mine
You lift me higher, take my spirit, make it fly,
Where all new wonders will appear


poets of the fall possui dois sentidos conflitantes em mim.

Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam.

nelson rodrigues, só um.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ode à uma adolescência

um coração
não conhece

a dor que
guarda

um sonho não
revela

a verdade
que esconde

até que o
sonhador

acorde.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

vida de faltas intensas



mesmo a falta de vida pode ser intensa.

uma perturbadora inversão, um paradoxo incômodo em que as memórias da tristeza, desalento e melancolia - nas quais só se deveria encontrar resquícios de um cotidiano indiferente, revolvem intensidade pura.

Intensidade na falta de intensidade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

meu próprio pregador

meu apartamento: um nojo. garrafas e latas espalhadas, e não consigo pegar mais cana na geladeira por causa dos restos de comida no chão. pelo menos não tinha ratos. as baratas comeram todos os filhos da puta.

limpando.

demorou uma eternidade de eternidades, como se o tempo tivesse seguido tortuosos caminhos na miríade de possibilidades no multiverso das realidades alternativas.

mas eu tinha como companheiros a música infinda e os cantinhos da minha mente, me sentindo um john cussack em alta fidelidade.



no final eu fui como aquele escroto no conto da sauna da lygia fagundes telles. expurgado do mal e do errado como se o suor e as mãos cheirando à desinfetante significassem a penitência redentora dos meus pecados. claro, não há garantias de que meu caráter mudou.



assim como o do john cussack.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

master system



eu quero dar um reset na minha cabeça
nem que perca xp até dizer chega
entrei num loop no sistema

se não der pra resetar, pode restaurar um backup de um tempo atrás

mas por favor, reseta

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

imaturo

há não pouco tempo atrás, percebi que queria escrever pra viver. melhor. queria ter a vida de um escritor. Todo aquele turbilhão de vivências e sensações desconexas batendo na cabeça como um picareta e deixando tudo tão confuso que não há saída a não ser vomitar.

no papel.

a experiência e o talento - sem esse não há esperança, fazem o que vale a pena ser lido.

comecei falhando aí. eu entendo que durante a maior parte da minha existência literária, vivi frugalmente demais pra entender a socio-selvageria que eu gostava tanto. e veja bem, esse déficit de vivência não foi necessariamente prejudicial.

enquanto me autocastrava com a faca cega de uma forte moralidade artificial, enterrando todos os meus desejos e impulsos, algo esguio, escuro - e divertido! - foi ganhando terreno dentro de mim. ódio, luxúria, soberba, negados durante anos foram se acumulando e hoje tudo fervilha e borbulha, batendo e sacodindo as grades da minha mente, querendo sair e me forçar a aceitar o sociopata megalomaníaco e escroto que eu sou.

eu queria comprar um livro de auto-ajuda que me ajudasse a se tornar uma pessoa pior.

pelos protocolos sociais e por um respeito distorcido que eu tenho pelas pessoas, essa grade metafísica normalmente é firme. e quando ela cai, ninguém se diverte mais que eu mesmo.

se quero fugir do meu próprio enfrentamento? pode ser. não quero enfrentar um pulha como eu. acho perigoso.

e daí me chamam de imaturo.

odeio essa palavra, imaturo. você é solteiro? imaturo. toma duas ou quinze de vez em quando? imaturo. não acredita que a porra do renato russo fala por todos nós? imaturo. prefere se esquivar de responsabilidades evitáveis? imaturo. não quer dar a bunda? você é a porra de um imaturo.

que seja, sou imaturo e quero a sujeira, o fedor, o desrespeito e o blasfemo. quero o errado e o doentio.

e é sobre isso que quero escrever hoje.

domingo, 22 de novembro de 2009



quatorze-dois-três
quinze-dois-três
dezesseis-dois-três
soltar-kchunk
sessenta libras, dezesseis repetições, três séries.
eu gosto de pesos. você sabe onde pisa com eles.
bem, algumas vezes eu só tento ao máximo impedir que eles me esmaguem.
mas veja, você sabe que eles te esmagariam se pudessem. há honestidade.
eu gosto de pesos.
se eles estão prestes a acabar com o seu fôlego, você pode sentir a pressão.
você sabe que vai acontecer.
com pessoas, nunca se tem certeza.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

i´m a cowboy, baby

O meu tio caçula é foda. Hoje um jovem e bem sucedido ortopedista além respeitável pai de família, teve nos anos 90 seus dias de delinquência dos 20 anos.

E fez estrago. Sujeito muito bem apessoado, surfista que curtia o som do hardcore californiano, absurdamente boa praça. Bem distante do estereótipo esquisito da família, clássicos nerds. De longe, o mais sociável. No auge, boemizava de segunda à segunda.

Paradoxalmente, porém, algumas características da estirpe foram mantidas, como o QI destoante e a uma certa misantropia, acrescidas de peculiaridades muito próprias, como o senso de humor ultra ácido e uma cômica inclinação para a culinária.

Também, diferentemente dos irmãos mais velhos, pôde contar com um período de maior prosperidade financeira do meu avô.

Era tipo o meu herói, fora a parte do surf.

Certa feita, em Ponta Grossa, nos meus - não tão - imberbes 13 anos, meu Tio Marcos levou meu pai, minha irmã e este alegre ébrio para conhecer a loja de CD´S (!!) que um amigo tinha aberto.

Ficamos horas curtindo o lugar, escutando uma coisa e outra. Como meu pai estava junto, eu e minha irmã tinhamos certeza de que alguma coisa seria comprada.

Nosso amado coroa comprou para si um lindíssimo Live Evil, importado da Inglaterra, do Black Sabbath Dio Years, obviamente. Além disso, um greatest hits da Janis Joplin.

Quanto ao que minha irmã comprou, as areias do tempo trataram de enterrar. Não lembro nem a pau.

Tio Marquera ainda me deu um Foo Fighters The Colour and the Shape, que foi rodado - literalmente - à exaustão no mini system.

Mas eu ainda podia comprar um à minha escolha. As possibilidades eram imensas demais
para o meu estreitíssimo gosto musical, limitado ao heavy tradicional dos anos 70 e 80, que falavam de sexo e do diabo de forma tão ridícula que não escandalizariam nem uma professora do primário.

Depois de um tempo, ocorreu de todo mundo já de saco cheio me pressionar para eu escolher logo, o que só recrudescia a minha indecisão.

Logo, o amigo dono do estabelecimento veio com a solução perfeita!

Ele resolveu que como eu era um adolescente brabinho e transgressor, teria que escutar o gênio muscal, o mito, o messias salvador da nova música... KID ROCK!

QUEEE?

Só lembro que me senti imensamente ofendido. E hoje me contorço de rir do ridículo da cena. Que moral tem um pirralho pra sair batendo os pés da loja só porque lhe foi oferecido um produto errado?

Mas pensando melhor, Kid Rock também era sacanagem comigo.



pastéis, Roger Waters e Bruce Wayne

Piá, senta aqui que o pai vai te contar uma história.

Nos idos distantes da minha juventude de estudante, tinha um bar na frente da faculdade.

Era o bar do Cheng.

O Cheng era o único boteco que conseguia vender pastel de carne mais barato que pastel de queijo e pastel de camarão mais barato que pastel de carne!



Um dia, a vigilância sanitária em ação conjunta com o IBAMA invadiu o prestigioso ambiente. Lá, descobriram e catalogaram ao menos três dúzias de novos tipos de baratas e coisas nojentas análogas.

E fecharam o bar.

Foi aí a primeira vez em que eu soube o que era ser órfão.

PS - dedicado à day, que inspirou a história.

PPS - uma vez eu vi um indiano fazendo um kebab em Tours, França, que faria o Cheng morrer de vergonha.

sábado, 12 de setembro de 2009

wicked game

um brinde à música de amor mais sensualmente angustiante do meu winamp.

http://www.youtube.com/watch?v=WsCBgWAvWpU&feature=fvw

http://www.youtube.com/watch?v=vqSkhS4W9C8&feature=quicklist

http://www.youtube.com/watch?v=4WA2jBMk-Pk

burning with desire

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Bukowski


Charlinho, o que nos liga são o álcool e os livros.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Agroindie

Eu sou um agroindie. (!!)

Ok, eu sei. Isso foi chocante. Eu mesmo ainda não me recuperei dessa constatação tão iconoclasta pra minha personalidade.

Mas eu explico musicalmente:

Durante boa parte da vida eu ridicularizei o campo, seus hábitos e seus personagens. Agora, me entusiasmo pra valer com a pira agrária.

E tenho por perto pilhas de revistas Dinheiro Rural e DBO (especializada em pecuária), além de literatura técnica específica, como Recuperação de Pastagens e Métodos Modernos para a Criação de Gado de Corte.

Outrora irrelevantes, INCRA, MST, Ministério da Agricultura, Ministério do Meio-Ambiente, ONGS pró ruralistas e pró ambientalistas, crises financeiras que fecharam um mol de frigoríficos, preço flutuante da arroba do boi e até previsão do tempo têm uma importância verdadeira.

Não me entenda mal. Eu não virei um agroboy. Meu apreço pela estética é intenso demais pra camisas xadrezes, calças cameltoe, cintos panelas, botinas e chapéus de abas largas.

Sim, eu sei. A indumentária supradescrita é o último must da moda curitibana - e do resto do país. Mas o divertido é que a maior parte dos que aderiram ao agrofashion não sabem diferenciar trigo de soja.

Sou um agroindie.

E me peguei discutindo com o meu avô se a exposição Araçatuba já tinha transformado a cidade na capital do nelore, mais importante que a tradicional feira de Uberaba.

Bom, eu gosto do nelore. Raça zebuína, de origem indiana, rústica e de boa carcaça. Resistente ao calor e doenças. Tudo bem, é menos precoce e demora mais pra amadurecer que as espécies taurinas européias e pra mandar pro figorífico.



Mas é o tipo que melhor se adaptou ao Brasil, país que possui o segundo maior rebanho bovino do mundo. Só perde para a Índia. Os fucking toilheads acham sacrílego comer a carne das vacas. Pasmem, mesmo o mignon!

O nelore é, antes de tudo, um forte. Um forte tal como descreveu o eugenista Euclides da Cunha sobre o sertanejo, num trecho d´Os Sertões.

Por isso, só é preciso ter pasto suficiente (brisantão ou tanzânia) pra boiada não sentir o vento passando nas canelas, sal nos cochos, água e vacinar. Daí é deixar a mãe natureza transformar um bezerro num boi - de preferência com mais de 18 arrobas.

O nelore é a música das massas. Adaptável, de grande aceitação comercial e nem um pouco sofisticado.

Mas o que eu queria mesmo era ter uma pequena fazenda pra criar a elite genética de raças taurinas européias em clima temperado.

Poderiam ser um rebanho de taurinas continentais, que tiveram um selecionamento genético que primava pela tração e trabalho. Ainda assim, e também por isso, possuem muita massa muscular com menor camada de gordura. E o peso final é assombroso. Muitos dos melhores exemplares de gado de elite do mundo tem origem limousin, belgian blue, charolês, piemontês, braunvieh ou marchigiana.

As européias continentais são o mainstream rock. Bem conhecidas e de boa vendagem, mas, por não serem rústicas, têm menor propensão a se criarem em qualquer lugar do Brasil.



Mas nada se compara a uma taurina britânica.

Ah, aberdeen, angus, hereford e red angus. Selecionadas geneticamente há gerações com o único propósito de nos prover com a melhor e mais terna carne. Possuem características - como fertilidade, precocidade sexual e de terminação, que fazem com que tenham reconhecimento mundial.



Assim, percebi que por gostar de um produto alternativo, mais raro, definitivamente não feito para as massas e de origem britãnica = sou um agroindie.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O ano do bastardo



Pensei que tivesse se matado. Me enganou, confesso.

Pensei em dar uma festa.
Mas lembrei que não tenho amigos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sobre a inocência infantil e a ebriedade

Quando este escriba ainda não tinha perdido a inocência para a maturidade física e moral - independentemente de essa perda ser fruto do desenvolvimento do indivíduo per se, como afirmava Hobbes ou para a sociedade maligna, de acordo com Rosseau - e ainda era uma inocente infante em Medianeira, eu possuía uma turma da rua. Tive sorte de ter um monte de crianças na vizinhança.

Nós, crianças, éramos destemidas, intrépidas. Em nosso pequeno peito batiam corações voluntariosos, de verdadeiros descendentes dos bravos imigrantes europeus que conquistaram esse Novo Mundo dos silvícolas pagãos e conseguiram manter sob cativeiro os negros sem alma durante gerações.

Jogávamos tamp-cross, polícia e ladrão, bets, caçador, Rei da Colina - esse era eu - andávamos de carrinho de rolima - ou carretilha - e fazíamos corridas nas pistinhas off-road de bicicleta. Até hoje tenho a minha Monark BMX Superstar, média e preta. Hah, o pequeno bad boy.

Claro, éramos crianças, e havia conflitos de interesses contínuos, frutos das nossas egocentradas mentes, apenas recentemente providas com a autoconsciência. Éramos egoístas, cruéis e soberbos, próximo do que Nietzsche tentou definir como o Übermensch. Por isso as nossas disputas eram resolvidas de uma maneira muito mais lógica e descomplicada do que as dos adultos, presos à desnecessários códigos de conduta moral, ética pública, valores religiosos e sociais, e por fim, a lei.

Nós recorríamos à chantagem emocional ou material, à manipulação explícita, nos ofendíamos das mais escabrosas maneiras e nos esmurrávamos sem sinal de piedade até que o assunto fosse posto em pratos limpos.

E no dia seguinte, éramos todos amigos.

Mas nem tudo era uma delícia de jardim epicurista, e a vida também tinha os seus perigos. Tínhamos que prometer olhar várias vezes antes atravessar a rua, e voltar pra casa quando anoitecesse para tomar banho e jantar.

As dedicadas mamães também destroçavam nossos frágeis e pequenos espíritos com histórias sobre o homem do saco, os traficantes de órgãos da kombi que atraiam crianças com doces, os garotos da nossa idade seqüestrados porque aceitaram caronas de desconhecidos...

Por isso, quando aparecia um indigente na rua, todos corríamos para a casa do amiguinho mais próximo, fechávamos o portão e ficávamos observando, em um medo refreado e silencioso.

Mas nem todos conseguiam conter seus impulsos.

Estou falando de mim.

Numa tarde ensolarada, passou um mendigo cavalarmente embriagado na rua. De trás das seguras grades de alguma casa, me equilibrando em cima do muro, gritei: "ÓIA O BÊBIDO!"



Ofendidíssimo com tamanha calúnia, e usando de ferina persuasão para se defender, o cidadão replicou no mesmo tom: "BÊBIDO É TU!"

Hoje vejo que ele tinha razão.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Hellblazer




Eu não deveria ter vindo aqui.

Essa cidade é uma boca apodrecida: seus prédios são dentes quebrados soltos em gengivas estragadas.

Ela lambeu os lábios e me engoliu.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cabelos, volume II.

Meu cabelereiro é um artista abstrato incompreendido. Um gênio quebrando paradigmas estéticos nas cabeças alheias. Suas obras ficarão marcadas como o apogeu de toda uma época artística, e eu terei sido a cobaia, o pilar imortalizado para a posteridade. Sim, porque inexoravelmente, devido ao pensamento muito a frente de seu tempo, meu cabelereiro só será reconhecido em morte, postumamente.

Eu me olho no espelho e tenho vontade de fazer esse "em morte" mais cedo do que tarde.

O retorno de um clássico, sempre oportuno.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Negritos.

No tempo da minha pré-adolescência, ninguém tinha internet. Quer dizer, um monte de gente devia ter, mas à época, Medianeira se bastava como meu universo. E cara, eu achava aquele universo imenso!


Modem 56k da US Robotics: a culpa é toda dele!

Afinal, mesmo numa cidade de 40 mil habitantes existe um absurdo de gente interessante pra se conhecer, não é? Por conta disso e por tudo ainda parecer tão grande pra mim, eu não me sentia sozinho de maneira alguma.


Fragmento da cena medianeirense dos anos 90. Observem o precoce talento para as 1ª e 2ª Artes - Música e Dança - respectivamente.

Como um bom pequeno insone, passava a madrugada com livros divertidíssimos, como o manual básico de GURPS - e suas milhares de tabelas e regras até pra cavar buracos no deserto com chuva.

Ou ainda a releitura de Os 12 Trabalhos de Hércules do Monteiro Lobato, que colocava Pedrinho, Narizinho, Emília e o Visconde de Sabugosa batendo boca com os mitos e deuses gregos como se fossem o picolezeiro da esquina. E em português do início do século passado. Não é à toa que o meu vocabulário aos 11 anos era maior que o de agora.


Logo veio a internet lá pra casa, e o amado mIRC. No #medianeira, vi que a cena local era grande mesmo. Bem, toda aquela selva social assustadora para mim, o que tornava tudo muito divertido. Já fora do regional, conheci pelego de tudo que é canto, e ficou tudo muito maior. O buraco era mesmo mais embaixo. Embaixo tipo a fossa das marianas no pacífico.

A profundíssima fossa das marianas no pacífico demonstra como o buraco é mais embaixo.



Pelego de tudo que é canto.

Mas eu logo me adaptei.

Até me mudar pra Curitiba com 16 anos.

Hoje acho engraçado o fato de não ter me sentido entediado, sozinho naquele tempo esquisito da aurora da minha puberdade, quando eu ainda era imberbe. Afinal, eu passava muito tempo só comigo mesmo. Eu conseguia. Eu até gostava. É uma capacidade superhumana que eu atrofiei ao longo do tempo. A internet me amoleceu.

E não bastasse isso tudo, tenho que confessar: derrubei cerveja no teclado e as teclas do extremo esquerdo estão todas travadas. E era uma Hoegaarden. Já disse o Guto que deve ser um teclado feliz.

PS - O excesso de negritos é intencional. Tenho lido muitos quadrinhos, e eu adoro o drama dos negritos nas HQ´s.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Amaciar

Eu dirijo mal.

Mal mesmo.

Mesmo assim, às vezes, eu gosto de acelerar. Não o meu carro, um 1.6 8v, pouco mais de 90 cv, com uma relação de marchas curtíssima que me obriga a andar a 40 km/h em quinta marcha. Dizem meus amigos entendidos que eu preciso amaciar. Tá. Certo. Morro de preguiça de enfiar o pé e ouvir o motor gritando.

Gosto de acelerar o carro do meu pai, um 3.3 V6 de 24 válvulas e 250 cv de potência, com um câmbio automático moderno que sabe o que eu quero do motor quando enfio o pé no acelerador.

Primeiro, ouço o rugido e vejo o conta-giros ir ao vermelho. Frações de segundo depois, a dianteira do enorme capô se inclina, e antes que eu perceba o aumento da velocidade, já sinto o meu corpo pressionado no largo e confortável banco de couro.

Nessa hora eu sempre deslizo as mãos pelo volante, apertando com força sua parte de madeira.

A velocidade aumenta, mas não observo o velocímetro. Busco pontos de referência no meu campo de visão, querendo me auto-proporcionar a sensação de velocidade que o estável sedã tão dificilmente me cede. A cabine anti-incêndio e ruídos veda qualquer tipo de som exterior, até mesmo o do vento se chocando contra a carroceria. Só ouço minha respiração e o meu motor.



Eu não teria como fazer esse ritual usando o tiptronic.

No auge do êxtase, recupero a consciência do meu corpo. Tenho frio na barriga, medo. Eu tiro o pé, encosto com leveza no freio. ABS com EBD e BAS, controle de tração e programa eletrônico de estabilidade são os filtros que impedem a minha falta de perícia se concretizar em tragédia. Se tudo mais falhar, que venham os 11 air-bags.

O motor se acalma, e eu rodo com suavidade, com o sistema de suspensão filtrando as imperfeições do piso. Respiro fundo, ligo a música, em alto volume e fidelidade, no sistema de som Infinity de dez alto-falantes.

Volto pra casa.

Esse fim de semana foi assim. Só que sem o carro.

E eu dirijo mal.

sábado, 7 de março de 2009

Spider Jerusalém.


Mais um da série escritos inacabados: isso foi rascunhado com muita empolgação e pouco método, na madrugada de 1º de setembro de 2007. É obvio que nunca terminei. Mesmo assim, olha lá!

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“Nós adorávamos nossa miséria, nos anos 80. E quem pode nos culpar?”

Acabei de ler o volume 8 da HQ obscura Transmetropolitan. É chocante, desconcertante e é escatológico em vários sentidos.

Mas também é soberbo, brilhante e profunda, profundamente sensível. Por trás das tiradas de humor cru vindos de uma realidade retalhada, espalhafatosa e amoral, sentimos a onda de choque da voz que mostra que a Cidade está viva, seja na mesopotâmica Ur, seja na surrealidade cyberpunkiana da metrópole amada e odiada por Spider Jerusalém, que come seus indefectíveis hambúrgueres de macaco.

Essa cidade está viva e é alimentada por todas as pessoas e culturas que nela vivem. Ela proporciona o máximo em possibilidades e experiências e seu preço é a degradação inexorável da moralidade. Não bastasse, essa degradação progride enquanto se tenta sobreviver num ambiente estranhamente paradoxal, onde as bravatas e sofismas são a regra e a verdade é um tipo de graal, ainda que procurada por pouquíssimos. Aqui, os jornalistas como Spider Jerusalém são os Cavaleiros da Távola Redonda.

“Meu garotão tem verrugas da moda. Ele fica duro, parece um maldito porco-espinho do sexo. As garotas adoram.”

Em Transmetropolitan, não existe frugalidade. Há o excesso, o exagero borbulhante nas idéias, nos corpos, no próprio exagero. E ninguém liga para as drogas. Elas são parte do cotidiano, assim como a televisão e o transporte público (pelo menos para alguns de nós).

É incrível. Sinto despeito e admiração desmedida ao mesmo tempo. Uma pessoa esquisitamente controversa, que vive no interior do sul da Inglaterra, chamada Warren Ellis escreve muito melhor que a maioria dos autores que conheço, sobre uma realidade totalmente ficcional e cuja essência é dificilmente alcançada pela grande maioria das pessoas do globo. O que dizer então dos ilustradores Darick Robertson e Rodney Ramos (conterrâneo!), que de maneira ímpar caracterizam essa realidade de maneira tão independente que chegam a ser considerados co-autores?

“Cale a boca.”

Transmetropolitan é ao mesmo tempo carnal e astral. Fala sobre anti-sépticos e avançados softwares e informação transferida diretamente ao cérebro, ao mesmo tempo em que mostra corpos sujos, membros artificiais sintéticos ligados à um cancro canceroso estabilizado por medicamentos cheios de efeitos colaterais. Fala do alcance messiânico de Deus por meio da tecnologia de ponta e de sexo como um analgésico para uma existência entediada numa babilônia tecnológica e pútrida.

Uma das histórias lança o dilema do que pode ser considerado humano. É humano uma mente escaneada que vive no mundo virtual? Ainda possui alma? É menos humano do que alguém que possui somente um membro artificial? Qual é o ponto de mutação de si próprio em que se perde a humanidade, a característica que possibilita alguém de se dizer humano? De um extremo, um software imortal e imaterial criado a partir de uma mente humana pode ser considerado humano, e do outro, alguém com ligas metálicas que consertaram um ombro com os ligamentos rompidos, não!

As impressões deixadas no cérebro do leitor são indeléveis como se tivessem sido feitas por um picador de gelo. Transmetropolitan me fez os olhos brilharem, me fez ter vontade de gritar, de pular, e por fim, de escrever. Faço de tudo para me ver dentro e rodeado holisticamente pelo seu universo. Sigo à risca as sugestões de leituras, de sites, de trilha sonora. Portishead toca no meu winamp e eu me sinto estranhamente conectado com um universo virtual e de possibilidades infinitas e antiéticas, quando percebo que minha mente não está na tela do monitor de LCD e eu posso olhar ao redor e me ver digitando, a sujeira que eu mesmo fiz na minha sala, o meu próprio corpo.

O que mais quero no momento é aprofundar meu conhecimento na cultura pop. Ler mais Grant Morrison, que é citado no editorial da revista, e um vago estalo me faz procurar na minha prateleira e perceber que já possuo um exemplar da obra desse outro notável artista inglês: Asilo Arkham, uma história esplendidamente atmosférica e sensorial do Batman. Os quadrinhos, a música pop underground, a sub e contracultura que ignoramos é fonte das mais ricas de todo o tipo de deleite artístico e psicológico.

Por fim, Trasmetropolitan nos dá a possibilidade de ver quão longe a humanidade pode chegar. E muito antes da invenção de sintetizadores de matéria e a possibilidade de downloadear sua mente para zilhões de foglets brilhantes.

PS - A quem interessar a arte de Warren Ellis, eu passo os scans!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Grau superlativo absoluto.

Tenho um meio sorriso no rosto.

Tenho uma cidade. Ando por ela, indiferente, olhando do alto como fazem os leões. A cidade é o meu reino ainda desconhecido se apresentando, se curvando indolente e dócil, enquanto eu a descubro da maneira que melhor me parecer.

Tenho uma cidade. Eu a possuo, a domino. Sinto as pessoas, os cheiros, a chuva e o vento, como se tudo nela estivesse acontecendo só porque eu assim permito.

Eu tenho uma banheira de água fumegante, uma toalha felpuda que eu observo antecipando o prazer do toque. Tenho a sensação da limpeza mais pura, asséptica e estéril do mundo, e tenho um silêncio que é só meu.

Meu.

Eu tenho pensamentos. Eles são navios que singram mares mais distântes do que os sábios da Escola de Sagres jamais imaginaram, como o mito do Holandês Voador, e penetram nas fossas o mais recônditas, como o Náutilus do Júlio Verne.


















Na minha banheira.

Eu tenho um meio sorriso, e esse meio sorriso é só meu.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Aniversário.

É meu aniversário, galera.
E eu acabei de fazer uma coisa honesta. Mesmo que muito dolorida.
Fiquei feliz, fiquem felizes.

Pra nós, todo o amor do mundo, pra eles o outro lado.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Diversões melancólicas.

cabelord diz:
Pelo dicionário, escaramuça tem um significado que eu gosto mais.

cabelord diz:
Combate de pequena importância, briga.

cabelord diz:
É de pequena importância, mas nao precisa ser de pequenas proporções.

cabelord diz:
iuhfi3wauh3iuwa

cabelord diz:
Quer dizer, ninguem sabe direito por que tá se quebrando.

cabelord diz:
Entao rixa, como você disse, no conceito jurídico, é uma escaramuça.

Alexandre diz:
Cara...

Alexandre diz:
A vida é escaramuça constante e sem sentido.

Alexandre diz:
A gente bate e apanha.

Alexandre diz:
E nem sabe o porquê.

Alexandre diz:
Só participa.

cabelord diz:
iuhf3wiuah

cabelord diz:
Bate e apanha.

cabelord diz:
É uma loucura ficar tentando entender o motivo mesmo.

cabelord diz:
Tem que ser psicanalista.

Alexandre diz:
Caralho...

Alexandre diz:
Vou colocar isso no meu blog.

Alexandre diz:
O que me entristece é de nunca ter pensado nisso antes.

Alexandre diz:
Imagine quantas conversas épicas perdi de eternizar para a posteridade!

Tricky little gifts.

Às vezes o destino nos dá surpresas capciosas.

Quando tudo leva a crer que o dia vai ser cotidianamente tedioso, ganho uma grata satisfação.

Bochechas coram, minha barriga gela, fico ansioso e demoro para perceber o motivo.

Velhas novas sensações.

Me sinto vivo outra vez. O cinza dá lugar às cores.
Existem vários motivos, alguns mais intensos que outros.

Só espero conseguir aproveitar.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Faz de conta.

Como não escrever qualquer coisa em quaisquer situações, passo a passo:

Esse texto foi escrito e baseado em material pesquisado no líquido primordial e originador primeiro da ruindade literária: a internet.

Receita de bolo, cara.

Comece assim:

1) Fique triste/eufórico/sonolento/aidético – enfim, qualquer estado de espírito que não seja o seu natural.

2) Comece a ter idéias que, no seu estado de entorpecimento, lhe parecem interessantes.

3) Fique muito irritado por ter que superar seu estado de debilidade e escrever sobre o maldito assunto que não sai da sua cabeça e não te deixa relaxar.

4) Escreva do jeito que vai saindo, sem se preocupar muito com a estrutura. Afinal, o importante é a inspiração. A formatação é mero trabalho proletário, não artístico.

5) Não perceba o resultado previsível: o que vai parecer um texto saído de um blog adolescente, ou pior. A única diferença mesmo é a ortografia certa. Quando muito, quando muito.

6) Ignore o passo acima se este era o resultado desejado.

7) Pra tirar essa impressão dos seus supostos leitores, pegue um dicionário de sinônimos e substitua tudo o que você puder por adjetivos mais específicos, “de maior precisão terminológica”.

8) Não estranhe quando o resultado previsível se concretizar: vai parecer um blog adolescente com cara de livro técnico dos muito chatos. Ou pior: vai parecer um texto do Alexandre.

9) Fique meio desconfiado da qualidade do trabalho, mas não conte pra ninguém.

10) Peça opiniões à amigos que, conhecendo seu temperamento afável, lhe perguntarão de qual livro do Dostoyévsky saiu o enxerto.

11) Fique orgulhoso e coloque na internet. (Não pule esse passo, ele é importante!)

12) Encha o saco. Depois de tanto trabalho, alguém tem que ler esse desgraça.

13) Ignore que essa atitude torna o artigo ainda pior. Acredite, um texto ruim que te forçam a ler é intragável.

14) Leia o texto outra vez, após uma ou duas semanas.

15) Quando então perceber que ficou escabrosamente ruim, blasfeme, grite impropérios, exclame palavrões variados, chute o balde e diga que nunca mais vai escrever nada.

16) Se prepare para dormir, e comece a ter sono / tome um fora, e fique deprimido / coma espetinho de picanha na praça Ozório, e fique aidético.

17) Volte ao o começo da receita.


Escrito em 15 de março de 2007.

Crise pela incompatibilidade da nutrição do corpo e da alma.

Minha nutricionista me recomendou a alternar os fins de semana de bebedeira, e a tomar pequenas quantidades de destilado ao invés de cerveja.

Não vai acontecer.

Cerveja é um instrumento de socialização.

É ignição e catalisação da alegria latente do resto da semana.

Que a gente não sente, só pressente.

E tem mais: meu pai me disse que a cerveja é o pão líquido.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

in/out/hype/gay

Hoje não tive paciência pra não fazer nada, e em meu intervalo intrajornada, me peguei lendo blogs de gente, tipo assim, suuuper in e antenada com o hype. Gostam de indie rock, fogem do pop escrachado como diabo da cruz, e tentam cravar a todo custo uma imagem alternativa e fashion. Alguém aí ouviu "James nas quartas e Wonka nas sextas"?

Constatei que há mais garotas que garotos quem fazem esse tipo de blog. E eles citam estilistas recém adentrados no mainstream da moda, gostam de terninhos assexuados, padrões em xadrez, calças justérrimas e óculos pretos de aros grossos. Invariavelmente possuem gadgets ultranecessários, como iPhones 3G de 16 gb - que descobri serem os únicos que possuem fundo branco.

Construindo uma atmosfera totalmente blasè, não hesitam em usar do sarcasmo. Também não têm pudor de ser elite econômica, o que é ótimo, e morar na Europa. Comumente Inglaterra ou França, embora os com sintomas mais aprofundados preferirem destinos como Glasgow, na Escócia. Lá trabalham subalternamente em estúdios de edição de filmes, uma paixão sintomática da classe, mesmo achando super out esbanjação de dinheiro e reclamando de pagar R$ 200,00 no show do Franz Ferdinand.
Eles até têm um vocabulário razoável, mas o gosto literário e musical corre a uma distância segura - para forjar atitude - dos clássicos.

Notei o fato comum de comumente terem entre 25 e 30 anos, e embora afirmem não gostar de estar envelhecendo, cultivam com um certo orgulho recatado dessa faixa etária, que se insinua de fato como a idade da moda. E a mim parece mesmo mais legal do que aquela fissura high school que tínhamos na segunda metade dos anos 90 e primeira metade dos anos 2000. Agora é fuckin´stylish mostrar algumas poucas e suaves marcas faciais pra denotar uma certa experiência na noite - de preferência de várias cidades do mundo, mas sem excessos.

Por que senão já vira junkie lifestyle. O que inexoravelmente já é o novo hype, liderado pela musa (sic) ultra junkie Amy Winehouse. Pfff...

E enfim, não pode haver excesso de sinais de vida libertina na cútis facial, mas só o suficiente, para mostrar que essa moçada já tem certa experiência e cultura e, agora, é quem domina e dita o cool dos programas. Que pode ser bar/café/bistrô ou mesmo uma balada alternativa. Tudo sem parecer tiozões o suficiente para cair no anacronismo e no tipo, "totalmente semana passada". Mesmo que o vintage ainda seja muito in.

E por fim, agora, me pego pensando... O que vai ser de mim quando eu também começar a exibir minhas primeiras - e espero, charmosas - ruguinhas?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Olhos vazios e paisagem cinza.

Acho que ainda tenho idade para as dúvidas aparentemente intransponíveis. Talvez até para algumas indagações adolescentes. Espero muito que sim. Porque se ficaram as dúvidas da adolescência, muito pouca convicção me resta.

Da criança, há muito se perdeu o brilho dos olhos da felicidade plena.

Do adolescente, o olhar frio da ambição.

Já agora não sei quais são meus novos olhos, assim como o que de fato é caro para mim.

Quero descobrir...

De pronto, percebo que é tarefa hérculea. Já nem sei o que é importante, como não levar a vida num piloto automático... Embebido no tédio de uma existência sem alegria, buscando pequenos prazeres que dão, efemeramente, leves aquarelas ao desbotado cotidiano.

Desbravar novamente a sensação do livre, de fazer o que prezo sem esperar contentar.

Aos outros e a mim.

Alexandre, em estado bruto e em melhor forma.

E meu coração às vezes me dá pistas do turbilhão de intensidades coloridas a que fui predestinado. As que julguei, muito jovem, que estaria vivendo agora.

Mas tudo é cinza.

Desesperante, angustioso, desalentador cinza.

De que realmente sou feito?

Por hoje, só sei o que sinto.

sábado, 26 de julho de 2008

Bibliografias.

Amigos imaginários, estou colocando o link do Judão nos arquivos bibliográficos.

A quem interessar, vale a pena dar uma lida na análise da estupenda campanha publicitária viral que foi feita para o filme The Dark Knight, aka BÁTIMA.

Que é excelente, por sinal.

Só perde pro insuperável Batman na feira da fruta.

Allegro ma non troppo.

Dormi ontem à meia noite, com o apartamento bem bagunçado.

Acordei hoje meio dia, e o apartamento parece ainda mais bagunçado. Ma che?

Depois, quando me enchi de ficar sozinho, resolvi ligar o winamp. Nesses tempos de soldião tenho me socorrido mais desse software - que já pode ser considerado commodity. Alguém aqui vai discordar que é um produto de primeira necessidade e vital para a sobrevivência no mundo moderno? Lancem ações do winamp na bolsa!

Eis que o destino colocou no meu caminho Futureal, a primeira música do Virtual XI do maiden. E o meu jeito de curtir um som é escutando o álbum inteiro. É a maneira mais completa, sabe? A imersão no clima é absoluta, e também se tem mais parâmetros pra diferenciação dos outros álbuns, sejam da mesma banda ou não. Cada álbum tem algo só seu, que não existe em nenhum outro. Um toque recorrente no teclado, um riff de guitarra padrão, o uso dos pratos da bateria, o ritmo do baixo, o timbre do vocalista. Influência da época e do estado de espírito dos caras quando foi feito.

E quanto ao Virtual XI... quando esse álbum foi lançado eu era só um piazinho, e foi certamente a época em que eu fui mais apaixonado por essa banda. De Medianeira, era muito difícil perceber histeria coletiva que cercava a banda no mundo inteiro, e eu me julgava especial e diferente por gostar, como se as músicas tivessem sido feitas só pra mim.

O que é ridículo. Vide Jerry Jackson falando de linkin park: http://www.fat-pie.com/linkinpark.htm

Mas enfim, não é maturidade que conta aqui, mas a atmosfera da época e suas sensações.

Que eram muitas.

Virtual XI tem músicas em ritmo de valsa. Tem teclados mais presentes do que em qualquer outra fase do maiden. As músicas são certamente mais lentas, mesmo que extremamente feelin´.

Alguém falou allegro ma non troppo?

Exclua-se os absurdos riffs e solos de meio de música da Don´t look to the Eyes of a Stranger.

Enfim, hoje já é impossível escutar o álbum desentranhando todo o sentimento que é regurgitado no meu coração pelas lembranças. É, mais ou menos, como uma máquininha do tempo, que ora é agradável, ora não.

E viva Blaze Bayley!

domingo, 20 de julho de 2008

Relatos incoerentes.

Quando eu era mais novinho e morava em Medianeira, ter ADSL era economicamente impraticável.

Todo mundo tinha net discada, e esperava dar meia noite pra ouvir o barulhinho do modem 56k da U.S. Robotics.

Nos canais do mIRC, a partir desse horário rolava uma avalanche de gente entrando.

Eu conheci uma quantidade absurda de gente legal pelo mIRC. É um crime contra a humanidade ele não ser mais usado. Penso em quanta gente podia ter conhecido.

Acontece que uma vez o meu modem queimou.

Não conseguia mais conectar, e agora?

Foi o caos na minha vida. Quebrou-se o modem, quebraram-se as regras de ouro, quebrou-se a minha harmonia.

Eu nem lembro quanto tempo levou pro meu pai comprar outro. Só sei que foi tempo.

Já em tenra infância já fui diagnosticado como um pequeno insone, e ficar sem o objeto de diversão era impensável.

Nos fins de semana não sofria, sempre tinha alguma coisa pra fazer. O que acontecia é que às vezes não ficava tão fácil combinar os esquemas sem o mIRC.

Mas da meia noite à 1:30 de cada dia, foi uma tristeza só.

Teve um fim de semana que eu tive as base de zerar quase todos os jogos de NEO GEO, que eu jogava pelo emulador NeoRage. Só lembrar já me emociona, esse console é totalmente foda! King of Fighters 94 ao 99, Art of Fighting I, II e III, Fatal Fury I, II, II Special, III, Fatal Fury Real Bout I e II e Fatal Fury Real Bout Special. Last Blade. Waku Waku Jam. Windjammers. Goukaiser. Cara, era tanta coisa linda, os enredos, as trilhas sonoras, a jogabilidade. Zé, obrigado MESMO por me inserir nesse mundo maravilhento dos emuladores e jogos! Eu jogava essa porra mesmo quando eu só tinha 16 mb de ram!

Mas eu ficava me sentindo mal de não poder estar no mIRC. Eu jogava NeoRage quando não tava falando com ninguém no mIRC ou quando ainda não era meia noite.

Eu jogava NeoRage de tarde, colocando os discos do meu pai na vitrola. Foi lá que eu conheci uma dúzia de álbuns do Iron Maiden, o burn do Deep Purple, e principalmente, Heaven and Hell do Black Sabbath. Eu não tinha 583908509 gigas de MP3 naquela época. O costume era escutar um só álbum, várias e várias vezes. Isso era legal, eu sentia com profundidade e precisão cada álbum, diferenciava com claridade dos outros da mesma banda. Meu, a gente ainda comprava CD´s! Eu, inclusive, ia na Guarani Musical.

Naquela época, eu gostava de ficar sozinho, jogandinho, lendo os livros da biblioteca, e uma lembrança muito forte: minha coleção de revistas Dragão Brasil, que eu assinava.

Mas eu também gostava muito quando o pessoal chegava de galera lá em casa, à qualquer hora, entre às 14:00 e 04:00 da matina, e a gente ficava jogando juntos ou conversando besteira, comendo a indescritível nega-maluca que a Edna, nossa empregada, fazia. Às vezes vinha só o Jardel e a gente jogava uns de corrida. Com o zé, destruíamos o teclado treinando combos nos de luta.

Lembro também da sala do computador, a disposição dos móveis. Da cozinha grande ali pertinho. Dos meus pais dormindo lá no quarto deles. Do meu quarto. Lembro de sair da sala, pela grande porta que dava direto pra fora da casa, olhar o céu cheio de estrela - céu que eu nunca vi em Curitiba - respirar o ar com cheiro de verde, sorrir e me sentir tão - tão feliz!

Ah, como eu amei os anos 90!

Memórias da juventude perdida.

Essa noite foi um saco.

Me prometo nunca mais me permitir entediar tanto.

sábado, 19 de julho de 2008

Cabelos.

Meu cabelereiro é um artista abstrato incompreendido. Um gênio quebrando paradigmas estéticos nas cabeças alheias. Suas obras ficarão marcadas como o apogeu de toda uma época artística, e eu terei sido a cobaia, o pilar imortalizado para a posteridade. Sim, porque inexoravelmente, devido ao pensamento muito a frente de seu tempo, meu cabelereiro só será reconhecido em morte, postumamente.

Eu me olho no espelho e tenho vontade de fazer esse "em morte" mais cedo do que tarde.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Necessidades inerentes à condição humana.

Há noites em que se quer birita, alegria e boa companhia. Em outras, silêncio e repouso. Às vezes quero uma madrugada jogando video game. Mas por ora, o que mais almejo, e de todo coração, é um copo de eno sabor laranja.

Sertanejo Universitário

Já faz mais de um ano que escrevi isso, pro jornaleco da faculdade. O aterrorizante é que ainda é atual.


É a vez do sertanejo universitário. O gênero sertanejo, auto proclamado herdeiro da música caipira e de raiz brasileira, de longa data é cultuado e explorado pela cultura de massa. Os grandes ícones dessa era são os músicos Zezé di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo e Chitãozinho & Xororó. Acontece que devido à sua temática recorrente à traições conjugais e releituras superficiais da melancolia caipira, o estilo caiu no ostracismo de grande parte do público consumidor. Alcunhas como breganejo ou sertanojo provam essa assertiva.


Porém, a bola da vez saiu da marginalidade econômica, social e cultural com músicas e roupagem mais moderna, além de um estilo mais fashion, fruto de um trabalho de marketing de muito esmero, e conquistou uma faixa etária mais jovem e rica, alçando-se ao centro do bolo midiático.


Milhões de jovens e não tão jovens assim aderiram ao estilo sertanejo universitário. Seus artistas mais populares,
Bruno & Marrone, Edson & Hudson e César Menotti & Fabiano lotam e superlotam festivais e rodeios universitários, sagrando-se os novos ponta-de-lança do tsunami comercial do estilo.


Não obstante, existe aqui um inocente sofisma. É o conceito de que a forma de divertimento, seja da juventude ou não, deve ser desentranhada de questões políticas ou sociológicas. Sua máxima é o “gosto não se discute”. Deixando lado o gosto duvidoso do gênero, algumas considerações devem ser feitas:


O sertanejo universitário tornou-se mais fashion e atraente à massa de consumo porque sua releitura foi fortemente montada em cima do cowntry tradicional norte-americano. Independentemente de sua qualidade musical, o contexto ideológico desse estilo prega os piores valores da sociedade mais hipócrita do planeta. Como assim?


A cultura country é racista e eugenista. Os rancheiros e cowboys mantém uma atitude altamente discriminatória com pessoas não oriundas da cultura WASP – “white, angle-saxon and protestant.” Existe a convicção de que alguns indivíduos, por possuirem características físicas hereditárias, determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais são superiores a outros. Pense bem e repare: um negro não se encaixa de maneira alguma no conceito “calça jeans justa, botas, esporas e chapéu”. Mais alguém lembrou dos bigodes?


Essa cultura também impõe a doutrina do “Destino Manifesto” a qual expressa a crença de que o povo dos Estados Unidos é eleito por Deus para comandar o mundo, e, dessa maneira, o expansionismo norte americano seria apenas o cumprimento da vontade divina. Foi usado largamente como justificação teórica, teológica e ideológica para o genocídio dos indígenas e anexação de estados originalmente de outros países, como o Texas. Essa premissa é ainda mais forte na cultura country, porque sendo os americanos pioneiros na conquista do novo mundo, os cowboys foram os pioneiros na consolidação dessa conquista, da maneira mais forte e guerreira possível: a ocupaçao do oeste.


Como se isso não bastasse, o ícone da cultura country é a criação de métodos mórbidos de tortura de animais: o rodeio de peão. Nesses eventos, cada vez maiores, touros e cavalos são submetidos à mecanismos diversos que têm a função de irritar ou mesmo machucar os bichos, para que pulem mais e mais alto, enquanto um homem os monta, tentando não cair na aventura.


Por isso, estamos de uma maneira totalmente irracional adotando e justificando tais premissas. E o que é pior, os pivôs dessa adesão em massa são os universitários brasileiros, a parcela da população mais favorecida econômico e socialmente, dita elite intelectual do país. São os pilotos, os futuros líderes tomadores das rédeas, dos rumos da nação. E essa atitude apolítica e, porque não dizer, apoplética da nossa elite mostra muito bem qual rumo é esse - a verdadeira vassalagem ideologica do nosso povo, com consequências, logicamente, nos campos da cultura e da economia, entre tantos outros.


O sertanejo universitário não é, de maneira alguma produto da nossa fecunda produção cultural, mas uma manifestação artística culturalmente pobre, criada artificialmente e artificialmente inserida em nossa sociedade por meio de um bombardeamento massivo pelos meios de comunicação.


A decisão de seus gostos de estilo ou musicais são somente seus, garantidos por valorosas conquistas democráticas duramente batalhadas por nossos antecessores. Granças aos céus, ninguém poderá dizer a ninguém o que vestir, escutar, e, enfim, ser. Mas as decisões são ideológicas. Por isso, seja responsável pela suas decisões. Eu já escolhi a minha. Não quero ser vassalo de ninguém, e não quero meu povo avassalado.



Alexandre, 22 de março de 2007.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

"Gilson."

"Gilson."

Desde bem criança sempre fui fascinado pela vida de meu pai. Principalmente da época em que ele não possuía a experiência que tem hoje, quando sua figura, pra mim, se aproxima mais da falibilidade que os mortais têm. Meu pai – mais - jovem, mais próximo das minhas incertezas e angústias. Meu pai vulnerável. Buscava essas histórias com uma curiosidade consciente de detalhes de enredo, cenário e sensações. Um indício irresistível da minha vocação literária.


E uma história recorrente é a do seu amigo Gilson. Por quem, pelo o que pude perceber, meu pai sempre sentiu uma simpatia muito profunda. Quer dizer, nos retalhos de descrição que eu incorporava no meu Eu-lírico, pintei o Gilson como um cara de intelectualidade destacada, um bom senso crítico, apesar de um quê de insegurança.


Talvez uma psique parecida com a do meu pai na aurora de seus tempos, resguardando-se as diferenças óbvias. No entanto, o elemento caracterizador do personagem Gilson é seu status de exímio enxadrista. Imagino adversários tremendo. Meu pai era o terceiro tabuleiro daquela – na minha mente - multicampeã equipe do colégio, e, mesmo tendo se tornado satisfatoriamente competente na arte, nunca alçou o padrão de excelência do Gilson.


Pois bem, Gilson e meu pai cresceram amigos em Ponta Grossa, aquela cidade de relativa baixa renda per capita, morros e morros com casas antigas com portas na calçada, um clima frio e úmido, imerso em uma atmosfera lúgubre, escura. Quase byroniana.


Não tenho idéia de onde se encontraram pela primeira vez, mas desconfio de que foi na escola, onde ambos, tanto no ensino fundamental quando no médio, passaram no vestibulinho de uma das melhores escolas da cidade. Escola pública.


Sim, nenhum deles tinha dinheiro. Meu avô, longe do patrimônio que viria a acumular no futuro, era vendedor de carros. Já o Gilson é filho único – mesmo que mimado – de um sapateiro. Imagino que se alocassem com impressionante naturalidade no loci dos nerds na complicada estrutura social da adolescência. Longe da grana dos “burgueses”, como eram chamados à época os playboys, mas com dinheiro e apoio familiar suficiente para desenvolver com relativo sucesso as suas imensas capacidades. Ah, claro, e também pela total inépcia social e total falta de tato com as garotas.


Prova cabal do determinismo genético.


Ambos fuori serie que eram, passaram juntos e na primeira tentativa no vestibular de medicina da UFPR. Foram bons amigos durante todo o curso, inclusive morando juntos durante o primeiro ano. Ambos, além do mítico Philipak da mitologia evandriana, o segundo tabuleiro da equipe. O descrevo como um polaco enorme e extremamente inteligente, que passou em primeiro lugar geral do mesmo vestibular, mas que, por influência de uma família fortemente protestante, resolveu cursar medicina na faculdade evangélica. Reza a lenda que Philipak acordava uma hora antes do Gilson e do meu pai para ter certeza de fazer uma toalete perfeita. Os outros dois lavavam o rosto. Às vezes.


Por fim, cada um seguiu na sua especialidade médica, na sua carreira e na vida. Gilson casou com uma Procuradora do Estado e exerceu a medicina seguindo as promoções de cidade de sua mulher. Têm três filhos. Até hoje penso se ele estaria milionário se tivesse continuado em Toledo, há 20 anos. Já meu pai pratica seu ofício numa certa caótica cidade do interior e teve dois filhos, atingindo boa parte das metas que nem sempre conscientemente teve.


E meu pai, mesmo lembrando com bastante carinho de seu amigo de longa data, não conseguiu vencer sua característica displicência e lhe dar a atenção merecida. Gilson, por outro lado, quase todo fim de semana toma um goró de uísque e liga para o meu pai.


Desenho em minha cabeça. Inteligente e sensível, Gilson é um homem solitário, triste e melancólico. Que liga para o amigo de infância quando se sente sozinho em sua confortável casa, segurando um copo de uísque na mão.


Sozinho, enfadado, entediado e angustiado, por hoje também sou Gilson, e, mesmo sem o conhecer, partilho sua solidão.



Alexandre, 14/07/2008.

Depois de anos tomando coragem, este é o inicio.
Talvez as esperanças - ainda - não sejam tão tardias.

Alexandre.