Quando eu era mais novinho e morava em Medianeira, ter ADSL era economicamente impraticável.
Todo mundo tinha net discada, e esperava dar meia noite pra ouvir o barulhinho do modem 56k da U.S. Robotics.
Nos canais do mIRC, a partir desse horário rolava uma avalanche de gente entrando.
Eu conheci uma quantidade absurda de gente legal pelo mIRC. É um crime contra a humanidade ele não ser mais usado. Penso em quanta gente podia ter conhecido.
Acontece que uma vez o meu modem queimou.
Não conseguia mais conectar, e agora?
Foi o caos na minha vida. Quebrou-se o modem, quebraram-se as regras de ouro, quebrou-se a minha harmonia.
Eu nem lembro quanto tempo levou pro meu pai comprar outro. Só sei que foi tempo.
Já em tenra infância já fui diagnosticado como um pequeno insone, e ficar sem o objeto de diversão era impensável.
Nos fins de semana não sofria, sempre tinha alguma coisa pra fazer. O que acontecia é que às vezes não ficava tão fácil combinar os esquemas sem o mIRC.
Mas da meia noite à 1:30 de cada dia, foi uma tristeza só.
Teve um fim de semana que eu tive as base de zerar quase todos os jogos de NEO GEO, que eu jogava pelo emulador NeoRage. Só lembrar já me emociona, esse console é totalmente foda! King of Fighters 94 ao 99, Art of Fighting I, II e III, Fatal Fury I, II, II Special, III, Fatal Fury Real Bout I e II e Fatal Fury Real Bout Special. Last Blade. Waku Waku Jam. Windjammers. Goukaiser. Cara, era tanta coisa linda, os enredos, as trilhas sonoras, a jogabilidade. Zé, obrigado MESMO por me inserir nesse mundo maravilhento dos emuladores e jogos! Eu jogava essa porra mesmo quando eu só tinha 16 mb de ram!
Mas eu ficava me sentindo mal de não poder estar no mIRC. Eu jogava NeoRage quando não tava falando com ninguém no mIRC ou quando ainda não era meia noite.
Eu jogava NeoRage de tarde, colocando os discos do meu pai na vitrola. Foi lá que eu conheci uma dúzia de álbuns do Iron Maiden, o burn do Deep Purple, e principalmente, Heaven and Hell do Black Sabbath. Eu não tinha 583908509 gigas de MP3 naquela época. O costume era escutar um só álbum, várias e várias vezes. Isso era legal, eu sentia com profundidade e precisão cada álbum, diferenciava com claridade dos outros da mesma banda. Meu, a gente ainda comprava CD´s! Eu, inclusive, ia na Guarani Musical.
Naquela época, eu gostava de ficar sozinho, jogandinho, lendo os livros da biblioteca, e uma lembrança muito forte: minha coleção de revistas Dragão Brasil, que eu assinava.
Mas eu também gostava muito quando o pessoal chegava de galera lá em casa, à qualquer hora, entre às 14:00 e 04:00 da matina, e a gente ficava jogando juntos ou conversando besteira, comendo a indescritível nega-maluca que a Edna, nossa empregada, fazia. Às vezes vinha só o Jardel e a gente jogava uns de corrida. Com o zé, destruíamos o teclado treinando combos nos de luta.
Lembro também da sala do computador, a disposição dos móveis. Da cozinha grande ali pertinho. Dos meus pais dormindo lá no quarto deles. Do meu quarto. Lembro de sair da sala, pela grande porta que dava direto pra fora da casa, olhar o céu cheio de estrela - céu que eu nunca vi em Curitiba - respirar o ar com cheiro de verde, sorrir e me sentir tão - tão feliz!
Ah, como eu amei os anos 90!
2 comentários:
não consegui não rir nessa parte:
"Foi o caos na minha, vida. Quebrou-se o modem, quebraram-se as regras de ouro, quebrou-se a minha harmonia."
hahahahahahh
Postar um comentário