terça-feira, 29 de julho de 2008

Olhos vazios e paisagem cinza.

Acho que ainda tenho idade para as dúvidas aparentemente intransponíveis. Talvez até para algumas indagações adolescentes. Espero muito que sim. Porque se ficaram as dúvidas da adolescência, muito pouca convicção me resta.

Da criança, há muito se perdeu o brilho dos olhos da felicidade plena.

Do adolescente, o olhar frio da ambição.

Já agora não sei quais são meus novos olhos, assim como o que de fato é caro para mim.

Quero descobrir...

De pronto, percebo que é tarefa hérculea. Já nem sei o que é importante, como não levar a vida num piloto automático... Embebido no tédio de uma existência sem alegria, buscando pequenos prazeres que dão, efemeramente, leves aquarelas ao desbotado cotidiano.

Desbravar novamente a sensação do livre, de fazer o que prezo sem esperar contentar.

Aos outros e a mim.

Alexandre, em estado bruto e em melhor forma.

E meu coração às vezes me dá pistas do turbilhão de intensidades coloridas a que fui predestinado. As que julguei, muito jovem, que estaria vivendo agora.

Mas tudo é cinza.

Desesperante, angustioso, desalentador cinza.

De que realmente sou feito?

Por hoje, só sei o que sinto.

2 comentários:

Anônimo disse...

Isso não vai passar. Pedras não são bonitas, mas são reais. Se pudéssemos viver sem sonhos que pintam de colorido, efemeramente, as pedras que somos... ahh, se pudéssemos, Ale. Não sofra pelo falso. Não vai mudar o que é. Não existe poesia na poesia.

Mas ainda existem amigos imaginários.

Unknown disse...

como sempre fazendo a vida ser mais complicada que o necessário, mas aí delícia