quinta-feira, 24 de setembro de 2009

i´m a cowboy, baby

O meu tio caçula é foda. Hoje um jovem e bem sucedido ortopedista além respeitável pai de família, teve nos anos 90 seus dias de delinquência dos 20 anos.

E fez estrago. Sujeito muito bem apessoado, surfista que curtia o som do hardcore californiano, absurdamente boa praça. Bem distante do estereótipo esquisito da família, clássicos nerds. De longe, o mais sociável. No auge, boemizava de segunda à segunda.

Paradoxalmente, porém, algumas características da estirpe foram mantidas, como o QI destoante e a uma certa misantropia, acrescidas de peculiaridades muito próprias, como o senso de humor ultra ácido e uma cômica inclinação para a culinária.

Também, diferentemente dos irmãos mais velhos, pôde contar com um período de maior prosperidade financeira do meu avô.

Era tipo o meu herói, fora a parte do surf.

Certa feita, em Ponta Grossa, nos meus - não tão - imberbes 13 anos, meu Tio Marcos levou meu pai, minha irmã e este alegre ébrio para conhecer a loja de CD´S (!!) que um amigo tinha aberto.

Ficamos horas curtindo o lugar, escutando uma coisa e outra. Como meu pai estava junto, eu e minha irmã tinhamos certeza de que alguma coisa seria comprada.

Nosso amado coroa comprou para si um lindíssimo Live Evil, importado da Inglaterra, do Black Sabbath Dio Years, obviamente. Além disso, um greatest hits da Janis Joplin.

Quanto ao que minha irmã comprou, as areias do tempo trataram de enterrar. Não lembro nem a pau.

Tio Marquera ainda me deu um Foo Fighters The Colour and the Shape, que foi rodado - literalmente - à exaustão no mini system.

Mas eu ainda podia comprar um à minha escolha. As possibilidades eram imensas demais
para o meu estreitíssimo gosto musical, limitado ao heavy tradicional dos anos 70 e 80, que falavam de sexo e do diabo de forma tão ridícula que não escandalizariam nem uma professora do primário.

Depois de um tempo, ocorreu de todo mundo já de saco cheio me pressionar para eu escolher logo, o que só recrudescia a minha indecisão.

Logo, o amigo dono do estabelecimento veio com a solução perfeita!

Ele resolveu que como eu era um adolescente brabinho e transgressor, teria que escutar o gênio muscal, o mito, o messias salvador da nova música... KID ROCK!

QUEEE?

Só lembro que me senti imensamente ofendido. E hoje me contorço de rir do ridículo da cena. Que moral tem um pirralho pra sair batendo os pés da loja só porque lhe foi oferecido um produto errado?

Mas pensando melhor, Kid Rock também era sacanagem comigo.



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