Hoje não tive paciência pra não fazer nada, e em meu intervalo intrajornada, me peguei lendo blogs de gente, tipo assim, suuuper in e antenada com o hype. Gostam de indie rock, fogem do pop escrachado como diabo da cruz, e tentam cravar a todo custo uma imagem alternativa e fashion. Alguém aí ouviu "James nas quartas e Wonka nas sextas"?
Constatei que há mais garotas que garotos quem fazem esse tipo de blog. E eles citam estilistas recém adentrados no mainstream da moda, gostam de terninhos assexuados, padrões em xadrez, calças justérrimas e óculos pretos de aros grossos. Invariavelmente possuem gadgets ultranecessários, como iPhones 3G de 16 gb - que descobri serem os únicos que possuem fundo branco.
Construindo uma atmosfera totalmente blasè, não hesitam em usar do sarcasmo. Também não têm pudor de ser elite econômica, o que é ótimo, e morar na Europa. Comumente Inglaterra ou França, embora os com sintomas mais aprofundados preferirem destinos como Glasgow, na Escócia. Lá trabalham subalternamente em estúdios de edição de filmes, uma paixão sintomática da classe, mesmo achando super out esbanjação de dinheiro e reclamando de pagar R$ 200,00 no show do Franz Ferdinand.
Eles até têm um vocabulário razoável, mas o gosto literário e musical corre a uma distância segura - para forjar atitude - dos clássicos.
Notei o fato comum de comumente terem entre 25 e 30 anos, e embora afirmem não gostar de estar envelhecendo, cultivam com um certo orgulho recatado dessa faixa etária, que se insinua de fato como a idade da moda. E a mim parece mesmo mais legal do que aquela fissura high school que tínhamos na segunda metade dos anos 90 e primeira metade dos anos 2000. Agora é fuckin´stylish mostrar algumas poucas e suaves marcas faciais pra denotar uma certa experiência na noite - de preferência de várias cidades do mundo, mas sem excessos.
Por que senão já vira junkie lifestyle. O que inexoravelmente já é o novo hype, liderado pela musa (sic) ultra junkie Amy Winehouse. Pfff...
E enfim, não pode haver excesso de sinais de vida libertina na cútis facial, mas só o suficiente, para mostrar que essa moçada já tem certa experiência e cultura e, agora, é quem domina e dita o cool dos programas. Que pode ser bar/café/bistrô ou mesmo uma balada alternativa. Tudo sem parecer tiozões o suficiente para cair no anacronismo e no tipo, "totalmente semana passada". Mesmo que o vintage ainda seja muito in.
E por fim, agora, me pego pensando... O que vai ser de mim quando eu também começar a exibir minhas primeiras - e espero, charmosas - ruguinhas?
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