Mal mesmo.
Mesmo assim, às vezes, eu gosto de acelerar. Não o meu carro, um 1.6 8v, pouco mais de 90 cv, com uma relação de marchas curtíssima que me obriga a andar a 40 km/h em quinta marcha. Dizem meus amigos entendidos que eu preciso amaciar. Tá. Certo. Morro de preguiça de enfiar o pé e ouvir o motor gritando.
Gosto de acelerar o carro do meu pai, um 3.3 V6 de 24 válvulas e 250 cv de potência, com um câmbio automático moderno que sabe o que eu quero do motor quando enfio o pé no acelerador.
Primeiro, ouço o rugido e vejo o conta-giros ir ao vermelho. Frações de segundo depois, a dianteira do enorme capô se inclina, e antes que eu perceba o aumento da velocidade, já sinto o meu corpo pressionado no largo e confortável banco de couro.
Nessa hora eu sempre deslizo as mãos pelo volante, apertando com força sua parte de madeira.
A velocidade aumenta, mas não observo o velocímetro. Busco pontos de referência no meu campo de visão, querendo me auto-proporcionar a sensação de velocidade que o estável sedã tão dificilmente me cede. A cabine anti-incêndio e ruídos veda qualquer tipo de som exterior, até mesmo o do vento se chocando contra a carroceria. Só ouço minha respiração e o meu motor.

Eu não teria como fazer esse ritual usando o tiptronic.
No auge do êxtase, recupero a consciência do meu corpo. Tenho frio na barriga, medo. Eu tiro o pé, encosto com leveza no freio. ABS com EBD e BAS, controle de tração e programa eletrônico de estabilidade são os filtros que impedem a minha falta de perícia se concretizar em tragédia. Se tudo mais falhar, que venham os 11 air-bags.
O motor se acalma, e eu rodo com suavidade, com o sistema de suspensão filtrando as imperfeições do piso. Respiro fundo, ligo a música, em alto volume e fidelidade, no sistema de som Infinity de dez alto-falantes.
Volto pra casa.
Esse fim de semana foi assim. Só que sem o carro.
E eu dirijo mal.
4 comentários:
É, eu nem dirijo.
exatamente porque tenho a certeza absoluta de que eu dirigiria muito mal. mas será preciso, atropelando pessoas pelo caminho ou não, será preciso.
;*
tao poético q pude ouvir o ronco do motor!
transmissão automática é gay
transmissão manual é de macho
e o Santeria tambem é legal de dar pau
Vc podia fazer propaganda pro Azera...Acho que iam achar legal...
Postar um comentário