quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

ode à uma adolescência

um coração
não conhece

a dor que
guarda

um sonho não
revela

a verdade
que esconde

até que o
sonhador

acorde.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

vida de faltas intensas



mesmo a falta de vida pode ser intensa.

uma perturbadora inversão, um paradoxo incômodo em que as memórias da tristeza, desalento e melancolia - nas quais só se deveria encontrar resquícios de um cotidiano indiferente, revolvem intensidade pura.

Intensidade na falta de intensidade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

meu próprio pregador

meu apartamento: um nojo. garrafas e latas espalhadas, e não consigo pegar mais cana na geladeira por causa dos restos de comida no chão. pelo menos não tinha ratos. as baratas comeram todos os filhos da puta.

limpando.

demorou uma eternidade de eternidades, como se o tempo tivesse seguido tortuosos caminhos na miríade de possibilidades no multiverso das realidades alternativas.

mas eu tinha como companheiros a música infinda e os cantinhos da minha mente, me sentindo um john cussack em alta fidelidade.



no final eu fui como aquele escroto no conto da sauna da lygia fagundes telles. expurgado do mal e do errado como se o suor e as mãos cheirando à desinfetante significassem a penitência redentora dos meus pecados. claro, não há garantias de que meu caráter mudou.



assim como o do john cussack.