quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Faz de conta.

Como não escrever qualquer coisa em quaisquer situações, passo a passo:

Esse texto foi escrito e baseado em material pesquisado no líquido primordial e originador primeiro da ruindade literária: a internet.

Receita de bolo, cara.

Comece assim:

1) Fique triste/eufórico/sonolento/aidético – enfim, qualquer estado de espírito que não seja o seu natural.

2) Comece a ter idéias que, no seu estado de entorpecimento, lhe parecem interessantes.

3) Fique muito irritado por ter que superar seu estado de debilidade e escrever sobre o maldito assunto que não sai da sua cabeça e não te deixa relaxar.

4) Escreva do jeito que vai saindo, sem se preocupar muito com a estrutura. Afinal, o importante é a inspiração. A formatação é mero trabalho proletário, não artístico.

5) Não perceba o resultado previsível: o que vai parecer um texto saído de um blog adolescente, ou pior. A única diferença mesmo é a ortografia certa. Quando muito, quando muito.

6) Ignore o passo acima se este era o resultado desejado.

7) Pra tirar essa impressão dos seus supostos leitores, pegue um dicionário de sinônimos e substitua tudo o que você puder por adjetivos mais específicos, “de maior precisão terminológica”.

8) Não estranhe quando o resultado previsível se concretizar: vai parecer um blog adolescente com cara de livro técnico dos muito chatos. Ou pior: vai parecer um texto do Alexandre.

9) Fique meio desconfiado da qualidade do trabalho, mas não conte pra ninguém.

10) Peça opiniões à amigos que, conhecendo seu temperamento afável, lhe perguntarão de qual livro do Dostoyévsky saiu o enxerto.

11) Fique orgulhoso e coloque na internet. (Não pule esse passo, ele é importante!)

12) Encha o saco. Depois de tanto trabalho, alguém tem que ler esse desgraça.

13) Ignore que essa atitude torna o artigo ainda pior. Acredite, um texto ruim que te forçam a ler é intragável.

14) Leia o texto outra vez, após uma ou duas semanas.

15) Quando então perceber que ficou escabrosamente ruim, blasfeme, grite impropérios, exclame palavrões variados, chute o balde e diga que nunca mais vai escrever nada.

16) Se prepare para dormir, e comece a ter sono / tome um fora, e fique deprimido / coma espetinho de picanha na praça Ozório, e fique aidético.

17) Volte ao o começo da receita.


Escrito em 15 de março de 2007.

Crise pela incompatibilidade da nutrição do corpo e da alma.

Minha nutricionista me recomendou a alternar os fins de semana de bebedeira, e a tomar pequenas quantidades de destilado ao invés de cerveja.

Não vai acontecer.

Cerveja é um instrumento de socialização.

É ignição e catalisação da alegria latente do resto da semana.

Que a gente não sente, só pressente.

E tem mais: meu pai me disse que a cerveja é o pão líquido.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

in/out/hype/gay

Hoje não tive paciência pra não fazer nada, e em meu intervalo intrajornada, me peguei lendo blogs de gente, tipo assim, suuuper in e antenada com o hype. Gostam de indie rock, fogem do pop escrachado como diabo da cruz, e tentam cravar a todo custo uma imagem alternativa e fashion. Alguém aí ouviu "James nas quartas e Wonka nas sextas"?

Constatei que há mais garotas que garotos quem fazem esse tipo de blog. E eles citam estilistas recém adentrados no mainstream da moda, gostam de terninhos assexuados, padrões em xadrez, calças justérrimas e óculos pretos de aros grossos. Invariavelmente possuem gadgets ultranecessários, como iPhones 3G de 16 gb - que descobri serem os únicos que possuem fundo branco.

Construindo uma atmosfera totalmente blasè, não hesitam em usar do sarcasmo. Também não têm pudor de ser elite econômica, o que é ótimo, e morar na Europa. Comumente Inglaterra ou França, embora os com sintomas mais aprofundados preferirem destinos como Glasgow, na Escócia. Lá trabalham subalternamente em estúdios de edição de filmes, uma paixão sintomática da classe, mesmo achando super out esbanjação de dinheiro e reclamando de pagar R$ 200,00 no show do Franz Ferdinand.
Eles até têm um vocabulário razoável, mas o gosto literário e musical corre a uma distância segura - para forjar atitude - dos clássicos.

Notei o fato comum de comumente terem entre 25 e 30 anos, e embora afirmem não gostar de estar envelhecendo, cultivam com um certo orgulho recatado dessa faixa etária, que se insinua de fato como a idade da moda. E a mim parece mesmo mais legal do que aquela fissura high school que tínhamos na segunda metade dos anos 90 e primeira metade dos anos 2000. Agora é fuckin´stylish mostrar algumas poucas e suaves marcas faciais pra denotar uma certa experiência na noite - de preferência de várias cidades do mundo, mas sem excessos.

Por que senão já vira junkie lifestyle. O que inexoravelmente já é o novo hype, liderado pela musa (sic) ultra junkie Amy Winehouse. Pfff...

E enfim, não pode haver excesso de sinais de vida libertina na cútis facial, mas só o suficiente, para mostrar que essa moçada já tem certa experiência e cultura e, agora, é quem domina e dita o cool dos programas. Que pode ser bar/café/bistrô ou mesmo uma balada alternativa. Tudo sem parecer tiozões o suficiente para cair no anacronismo e no tipo, "totalmente semana passada". Mesmo que o vintage ainda seja muito in.

E por fim, agora, me pego pensando... O que vai ser de mim quando eu também começar a exibir minhas primeiras - e espero, charmosas - ruguinhas?